Meu filho é uma criança sensível: como lidar?

21 jan
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Se o seu filho chora à toa, se magoa com facilidade ou reage intensamente a determinadas situações, pode ser que ele seja uma criança sensível.  Você já parou pra pensar que pode não ser apenas um chilique, mas sim uma hipersensibilidade emocional, e até física, ao mundo ao seu redor?

Quando o Pedro, desde bebê, era muito sensível ao excesso de estímulo, lugares com pouca luz e muito barulho o incomodavam demais, assim como mudanças na rotina. Já na alfabetização, uma simples cobrança da professora para caprichar na letra era capaz de encher os seus olhos d’água. O que a mãe de Pedro não sabia é que esses comportamentos podem ter uma relação.

Se você acha que tem um filho sensível, este post é pra você! Aprenda como identificar esse comportamento e como lidar com ele.

Como reconhecer uma criança sensível?

Assim como os adultos, as crianças não são todas iguais e algumas podem ser bem mais sensíveis do que outras. Pequenos com essa característica costumam ser mais vulneráveis emocionalmente, se magoando com mais facilidade e chorando com frequência.

Por outro lado, são crianças extremamente carinhosas e afetuosas que dão valor ao contato físico,  vibram com a música e, muitas vezes, conseguem relacionar cheiros e sabores com suas vivências, criando memórias afetivas.

Com uma percepção aguçada, elas compreendem sinais de expressão facial, olhar e gestual. Costumam se emocionar, sentir pena e até alegria pelo outro, seja um livro, um filme, ou mesmo uma pessoa pedindo ajuda na rua.

Não há nada de errado em ser sensível, mas educar uma criança assim pode ser um desafio. Elas ficam profundamente tristes quando são repreendidas, além de terem dificuldades para lidar com a frustração e hesitarem coisas novas.

Quais são as causas e características desse comportamento?

A verdade é que não há uma causa específica para uma criança ter a sensibilidade mais aflorada que outras. Pode, inclusive, ser genético. O fato é que é uma característica pessoal que nasce com ela e que se desenvolve de acordo com o ambiente em que vivem, a maneira como são educadas e o cuidado que recebem.

Por isso, embora haja traços característicos, nem sempre é fácil identificar este comportamento, pois a sensibilidade pode se manifestar de diferentes maneiras. Alguns aspectos podem ser percebidos desde de bebê, como a reação imediata a mudanças na luz e na temperatura.

Bebês e crianças sensíveis tendem a ser pouco tolerantes ao excesso de estímulos e sentem as mudanças na rotina e a angústia emocional dos outros. Choram por qualquer coisa, sentem medo de sons repentinos e coisas mais complexas à medida que crescem.

É comum apresentarem um comportamento meticuloso e metódico, pois preferem pensar e planejar as coisas antes de agir. Nesse sentido, a ansiedade acaba sendo um efeito colateral.

Vale lembrar que a sensibilidade diz respeito a todos os sentidos – tato, visão, audição, olfato e paladar. Sabe aquela roupa que ele não quer vestir de jeito nenhum? Pode ser uma etiqueta ou uma costura que incomoda. Até mesmo a seletividade alimentar pode estar associada à uma implicância com determinadas texturas.

O fato é que são crianças sensíveis ao mundo ao seu redor, e, por isso, mães e pais precisam ensiná-los a lidar com isso. Significa que eles vivem todas as emoções mais intensamente, ou seja, podem ficar superexcitados, raivosos ou super assustados com facilidade.

Como lidar com um filho sensível?

Embora seja importante compreender essa característica, também é preciso ter cuidado para não superproteger. Enfim, listamos aqui algumas dicas:

Aceite a sensibilidade

Mesmo que seja difícil para você entender, procure se colocar no lugar dele e entender como ele enfrenta e percebe determinadas situações. Isso não quer dizer colocá-lo em um papel de vítima, como alguém mais fraco, mas sim ensiná-lo a desenvolver ferramentas para lidar com as situações e controlar suas emoções.

Por exemplo, prepará-lo para elas, ressaltando seus pontos fortes e reforçando a sua segurança. O importante é não exigir dele um comportamento que não é compatível com o seu temperamento sensível.

Permita o ócio

Já mencionamos várias vezes que eles são mais sensíveis também aos estímulos, certo? Então não adianta encher a agenda da criança de atividades e nem impor uma maratona de compromissos no fim de semana, por que ele, fatalmente, irá reagir de alguma forma.

Permita um tempo livre, de calma e tranquilidade para a criança se manter equilibrada. O ócio é muito importante para qualquer criança, especialmente as sensíveis.

Seja claro em relação aos limites

Toda criança precisa de limites. Não é porque ela se magoa que não deve ser repreendida se fizer algo errado. No entanto, você pode tomar alguns cuidados, como não fazer em público e nem de maneira truculenta. Principalmente não devemos reprimi-la por expressar seus sentimentos.

O ideal é conversar sobre as regras, explicar a razão delas e as consequências de não cumpri-las. Usar a lógica para determinar as consequências de um comportamento tem muito mais efeito do que a simples punição. Ele precisa entender a razão de ser disciplinada, caso contrário se sentirá incapaz.

Estimule-o a expressar os sentimentos

É muito importante ajudar a criança a nomear os sentimentos. Explicar pra ela que o que ela está sentindo é raiva ou tristeza e que tudo bem ela se sentir assim, mas que não dá a ela o direito de bater, por exemplo.

Estimule a dizer o que sente, sem dramatizar os problemas e situações cotidianas e fazer de tudo uma tragédia.

Assim, a forma de lidar e educar uma criança sensível não é tão diferente de qualquer criança, porém as reações e consequências podem ser mais intensas. Por isso, mantenha a calma e tranquilidade, você já sabe o porquê daquela reação. Gritar e brigar só irá agravar o quadro.

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