Alergia a leite: tudo o que você precisa saber sobre APLV

27 ago
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A alergia a leite é a mais frequente das alergias alimentares, atingindo mais de 2% das crianças nos primeiros anos de vida.

Ainda que suas causas não sejam totalmente conhecidas, com base nas informações sobre os seus mecanismos e sintomas, hoje, o diagnóstico é muito mais fácil do que nas gerações anteriores. Quanto mais cedo for identificada mais cedo se dá a cura.

Entretanto, o diagnóstico se baseia na observação clínica, daí a importância de conhecer os sinais e sintomas. Por isso, reunimos neste post as principais perguntas sobre o assunto. Confira!

Como acontece a alergia a leite?

Trata-se de reação alérgica do organismo às proteínas presentes no leite e seus derivados, por isso é conhecida como APLV — alergia à proteína do leite de vaca.

Ocorre, geralmente, nos primeiros anos de vida, quando o bebê é exposto pela ingestão de leite artificial ou pela amamentação, por meio da passagem de proteínas laticínios ingeridas pela mãe.

Embora as causas e mecanismos da APLV não sejam completamente conhecidos, acredita-se que se desenvolva em bebês por uma razão. Em geral, seres humanos não são capazes de absorver moléculas grandes. No entanto, nos primeiros dias de vida, o intestino do bebê está mais permeável para a absorção dos anticorpos da mãe, abrindo assim, uma janela de sensibilização para outras moléculas, como as proteínas lácteas.

Conforme o tipo de resposta imunológica envolvida, a alergia a leite é classificada em:

Mediada por IgE

A reação se dá por anticorpos específicos (Imunoglobulinas E) para as proteínas do leite. Caracteriza-se por reações imediatas, ocorridas de segundos até 2 horas após a ingestão. Com sintomas tipicamente mais persistentes ao longo dos anos, e, em geral, mais graves.

Não mediada por IgE

Nesse caso, o organismo não produz anticorpos IgE específicos, mas a reação é desencadeada por outras células. Sua principal característica é apresentar reações tardias, podendo aparecer horas ou dias após a ingestão do leite, o que dificulta o diagnóstico.

Mista

A reação ocorre pelos dois tipos de mecanismo imunológico, e a criança pode ter sintomas imediatos e tardios.

APLV x Intolerância à lactose

É muito comum confundirem alergia alimentar com intolerância, entretanto, são coisas absolutamente diferentes. A intolerância é a dificuldade de digerir a lactose, o açúcar do leite. Ocorre pela deficiência da enzima lactase, e se manifesta apenas por sintomas gastrointestinais.

A alergia pode ocorrer ao menor contato com o alimento, enquanto a intensidade da intolerância se relaciona com a quantidade ingerida. Além disso, APLV é o tipo de alergia mais comum em bebês, sendo a intolerância à lactose bastante rara entre eles.

Quais os principais sintomas?

As reações alérgicas envolvem o sistema imunológico, e vão além do aparelho digestivo, podendo afetar a pele, as mucosas e o trato respiratório.

Reações Imediatas

  • manchas vermelhas pelo corpo, associadas a coceira — uticária;
  • vômitos em jato e/ou diarreia seguidas da ingestão do alimento;
  • inchaço dos lábios e dos olhos — angioedema;
  • chiado no peito e respiração difícil;
  • anafilaxia e choque anafilático, em casos mais graves.

Reações Tardias

  • refluxo gastroesofágico;
  • sintomas gastrointestinais diversos: diarreia, cólica, vômito tardio ou prisão de ventre;
  • sangue ou muco nas fezes;
  • assadura e ou fissura perianal;
  • inflamação do intestino;
  • ressecamento e descamação da pele em regiões localizadas, podendo formar feridas — dermatite;

Outros sinais

Ainda que não possam ser chamados de sintomas, existem alguns sinais que decorrem dos sintomas principais, podendo servir de pistas para a investigação clínica:

  • baixo ganho de peso, devido a má absorção dos nutrientes;
  • irritabilidade, resultado de sintomas como a cólica e o refluxo oculto;
  • distúrbios do sono, também pela presença de desconforto gastrointestinal;
  • predisposição genética, aproximadamente 2/3 das crianças alérgicas apresentam casos na família, em parentes de primeiro grau.
  • outras alergias, crianças alérgicas têm maior propensão a desenvolver reações a outros alimentos, e problemas como asma e dermatite atópica.

Como é feito o diagnóstico e o tratamento?

O médico realiza o diagnóstico com base na análise do histórico clínico, ou seja, na observação dos sintomas. A confirmação, em geral, é dada pelo teste de exclusão, que deve ser realizado por, pelo menos, dois meses, considerando o tempo para que o organismo elimine tudo e os sintomas tardios e crônicos desapareçam.

Os exames laboratoriais podem são ser absolutamente conclusivos, sendo complementares ao diagnóstico clínico. Podem ser feitos o exame de medição de IgE no sangue e o teste cutâneo, no entanto dependendo da idade e do tipo de alergia (não mediada) não há alteração. Outro exame complementar, mas não definitivo, é o de sangue oculto nas fezes.

O tratamento é feito com a exclusão total do leite e seus derivados da dieta alimentar. Em casos mais graves, é necessário separar utensílios domésticos — pratos, talheres, copos, panelas, etc — para evitar contaminação cruzada. No caso de bebês amamentados exclusivamente, é a mãe quem deve se submeter à dieta.

Além do acompanhamento médico, que é essencial, é indicada a consulta com um nutricionista. Esse profissional poderá indicar substitutos para uma dieta completa e balanceada.

Fórmulas especiais

Na impossibilidade de oferecer leite materno, existem as fórmulas especiais, à base de aminoácidos ou com proteínas extensamente hidrolisadas, a depender da sensibilidade. O governo tem programas de fornecimento gratuito dessas fórmulas, já que são caríssimas.

Menos caras, as fórmulas à base de soja são uma opção não muito recomendada, pelo alto número de crianças alérgicas às duas substâncias.

Embora não façam mal, os leites vegetais não devem ser usados como substitutos até os 2 anos de idade, por não terem valor nutricional suficiente.

A grande maioria dos casos de alergia a leite se resolve ainda na primeira infância, com a criança desenvolvendo tolerância ao alimento. Como as reações são diversas, conhecer aquelas manifestadas pelo seu filho é primordial para entender a conduta médica e aprender a enfrentar as dificuldades diárias, em busca do caminho mais rápido para a cura.

Agora que você já sabe tudo sobre essa alergia alimentar, que tal ler algumas dicas de Alimentação infantil para o seu filho ter saúde e se desenvolver bem.

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